Erro, ação desarrazoada e injustiça:

decifrando os enigmas de “Édipo Rei” a partir das leituras de Knox, Foucault e Lévi-Strauss

Autores

  • André Gardesani Universidade de Coimbra - Portugal Autor

DOI:

https://doi.org/10.55386/rmv3am28

Palavras-chave:

Édipo rei, Sófocles, Tragédia grega, Direito e literatura, Hermenêutica jurídica

Resumo

A tragédia grega representa a tematização de diversos problemas políticos, jurídicos e sociais da antiguidade clássica e, via de consequência, da própria civilização ocidental para a qual contribuiu. Este artigo objetiva identi-ficar e analisar o substrato jurídico em Édipo rei, tragédia de Sófocles, por meio da confluência entre conceitos e abordagens jurídicas e literárias, especialmente aquelas decorrentes das contribuições aristotélicas sobre a arte trágica (ha-martia,hybris, katharsis e mímesis) e das exegeses elaboradas por Bernard Knox (2002), Lévi-Strauss (2010) e Foucault (2003), as quais, em razão da seriedade e completude, constituem fonte imediata para vários estudos interdisciplinares e contextualizados de Édipo rei, envolvendo o pensamento mítico, literário e jurídico. Na sequência, o estudo centra-se na questão da analogia entre o saber de Édipo, consubstanciado na solução do enigma da esfinge e na cura de Tebas, com os problemas da hermenêutica jurídica, bem como com erros intelectuais que impedem que o direito seja adequadamente compreendido e aplicado. Dessa forma, o trabalho se propõe a, por meio da função profilática da tragédia, reavaliar um texto trágico de quase 2.500 anos, com vista a obter respostas aptas a solucionar problemas práticos do direito contemporâneo.

Biografia do Autor

  • André Gardesani, Universidade de Coimbra - Portugal

     Procurador do Estado. Pós-doutor em Direitos Humanos e Democracia pela Universidade de Coimbra - Portugal. Doutor em Literatura Comparada pela UNESP.

Referências

Downloads

Publicado

2024-07-10